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O que o jogador quer?

Bruno Cicanci Bruno Cicanci Seguir 24 de Janeiro de 2010 · 4 min de leitura
O que o jogador quer?
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O que o jogador quer? Este foi um tema de uma discussão em uma das aulas de Game Design, e rendeu uma boa discussão devido ao ponto de vista dos alunos, do professor e de alguns artigos que haviamos lido. Discutimos, principalmente, três públicos diferentes: jogadores hardcore, pais que jogam com seus filhos pequenos, e ex-jogadores. Cada público possui suas características e necessidades.

Nossa base para discutir sobre pais que jogam com seus filhos veio deste artigo no Gamasutra, What Gamers Want: Family Gamers, onde o autor levantou aspectos que os pais buscam em jogos para jogarem com seus filhos, e também o que estas crianças pequenas gostam em jogos.

Abaixo estão algumas características que identifiquei neste público:

  • Não gostam de tutoriais longos, preferem tutoriais in-game;
  • O andamento do jogo deve ser gravado constantemente, para que não seja necessário jogar muitas vezes a mesma parte;
  • A jogabilidade deve ser bem simples e intuitiva, com controles fáceis;
  • Estes jogos devem ter um modo multi-player, pois os pais gostam de jogar com seus filhos;
  • A linguagem utilizada no jogo deve ser clara e objetiva, para não confundir as crianças;
  • Jogos muito complicados fazem a criança perder o interesse em jogar;
  • Para este público, o preço de um jogo é muito alto, pois existem outras formas de entretenimento que podem ser feitas com o mesmo valor, já que a criança pode perder o interesse logo em um jogo.

Outro público abordado na discussão, os ex-jogadores, são geralmente adultos que jogavam, mas que perderam o interesse em passar um tempo jogando, até por que eles podem não ter mais tempo para jogar. Baseamos nossa discussão neste artigo, What Gamers Want: Missing Gamers, também do Gamasutra, e identifiquei as características abaixo:

  • Atualmente estes adultos preferem jogos casuais na internet e jogos em redes sociais, apenas para passar o tempo;
  • Dão preferência para jogos de tabuleiro ou de carta, por causa da interação com outras pessoas;
  • Foram jogadores no passado, mas hoje podem ter preconceito de ter um videogame;
  • Sua principal motivação para jogar é desafiar os amigos em mini-games (o Nintendo Wii é o preferido deste público quando escolhem um videogame);
  • Para este público o preço também é alto, pois não irão jogar o tempo todo, apenas quando estiverem reunidos com amigos.

Os dois públicos acima fazem parte de um público maior, o de jogadores casuais. Porém, cada um com suas características próprias, e com certeza existem mais segmentações. Mas, existe um público que é único, com diferenças apenas no gênero de jogo preferido, que é o público hardcore.

Este foi um ponto alto da nossa discussão em sala, pois praticamente todos os alunos são jogadores hardcore. Além disso, utilizamos como base o artigo A Gamer’s Manifesto, um dos melhores artigos sobre gamers que já li! Este é, sem dúvidas, o público mais difícil de agradar, devido a sua exigência. Abaixo estão as características que identifiquei neste público:

  • Querem uma Inteligência Artificial mais realista, que se comporte como um jogador;
  • Gostam de multi-players, mas as vezes parece que deixaram de lado a I.A.;
  • Ficam irritados com imagens utilizadas em propagandas e vídeos que são bem diferentes dos gráficos do jogo;
  • O público feminino hardcore é geralmente esquecido;
  • Eles gostam de jogos difíceis, mas não de jogos impossíveis ou estúpidos;
  • Apesar de serem hardcore gamers, não acham legal ter que jogar 50 horas para conseguir uma feature que está na capa do jogo;
  • Loadings demorados e animações muito longas diminuem o tempo de gameplay, e muitas vezes são desnecessárias (sem falar quando não da pra pular isso!);
  • Imersão e interação com o ambiente são importantes para tornar o jogo realista;
  • Hoje os jogos de console podem ser facilmente atualizados pela internet, porém isto pode tornar o jogador um beta tester, pois se ocorrer algum bug é só lançar uma atualização do jogo;
  • Alguns desafios impostos para o jogador podem não fazer sentido ou serem desnecessários para o andamento do jogo.

Com todas estas informações, a discussão que tivemos na aula e minha análise dos artigos, cheguei às seguintes conclusões a respeito do que cada tipo de jogador busca em um jogo:

  • Jogos para crianças não devem ser apenas “bonitinhos”, devem ter tudo que é necessário para proporcionar uma boa experiência para as crianças e seus pais, que sempre jogam juntos;
  • Quem não joga videogames, ou faz isto poucas vezes, busca jogos simples e divertidos, para interagir com seus amigos;
  • Jogadores hardcore sempre serão exigentes e, algumas vezes, estão certos em suas reclamações, pois alguns desenvolvedores deixam de ser jogadores quando fazem jogos.

Compreender cada tipo de jogador e o que ele quer é muito importante para a elaboração do Game Design de um jogo. Entender o seu público alvo é um dos principais fatores para que um jogo seja um sucesso ou um fracasso, e é parte fundamental do processo de produção.

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Bruno Cicanci
Escrito por Bruno Cicanci Seguir
Bacharel em Ciência da Computação e pós-graduado em Produção e Programação de Jogos. Atuo profissionalmente com desenvolvimento de jogos desde 2010. Já trabalhei na Glu Mobile, Electronic Arts, 2Mundos, Aquiris, e atualmente na Ubisoft em Londres. Escrevo neste blog desde 2009.