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Não faça clones

Não faça clones

Esta semana li um post em um grupo de desenvolvedores de jogos no Facebook que deixou muitas pessoas revoltadas, inclusive eu: um “desenvolvedor” clonou totalmente um jogo famoso e disse que era inovador copiar formulas de sucesso. Isso esta muito errado.

Eu nem vou falar o quanto é errado copiar o trabalho de outra pessoa ou empresa do ponto de vista legal, pois existem vários casos famosos de violação de copyright. Um caso famoso que aconteceu aqui no Brasil foi da empresa Vostu que foi processada pela Zynga por clonar seus jogos, e isto virou notícia no mundo.

Existe uma grande diferença entre utilizar imagens de jogos famosos para fazer um protótipo ou tech demo e refazer totalmente um jogo famoso esperando ter lucro com isto. Na verdade, é errado mesmo se não esperar lucro com isto, como foi o caso do FullScreenMario, que foi forçado a tirar seu clone de Super Mario em HTML5 do ar por violar o copyright da Nintendo.

Um dos motivos que fazem a App Store da Apple ter mais credibilidade do que a Play Store do Google é o processo de análise dos jogos publicados na App Store, e um dos itens verificados é se o produto (jogo ou app) infringe algum copyright. Como na Play Store não existe essa análise, existem muitos clones de jogos famosos. Porém, não pense que as grandes empresas não ficam de olho nisso, pois elas monitoram este tipo de coisa e pedem para o Google retirar o app ou jogo do ar.

O Notch, criador do Minecraft, escreveu o tweet abaixo sobre o novo jogo LEGO. Porém, neste caso, a única cópia foi a mecânica de criar coisas com blocos, pois a história e a arte são diferentes. Inclusive a maneira de criar é um pouco diferente, mas o que você espera de um jogo LEGO?

The Lego Infiniminer clone looks neat!

— Markus Persson (@notch) June 1, 2015

Agora quero comentar o aspecto moral e ético disso. Copiar totalmente um jogo, desde seu gameplay até sua arte, é a mesma coisa que copiar um livro e lançar com a mesma capa e mudar um pouco o nome, mas não muito para deixar clara a referência ao original. Jogos não são “terra de ninguém”, pelo contrário, é uma indústria bilionária e ao mesmo tempo pequena onde muita gente conhece muita gente. E pode ter certeza: se você tem orgulho e cara-de-pau de fazer clones, muita gente não vai querer te contratar.

Eu (e muitas outras pessoas) não me conformo quando vejo uma pessoa ou um grupo com a capacidade técnica de clonar um jogo desperdiçar seu talento fazendo isso. Desenvolver jogos não é fácil, mas não significa que copiar algo de sucesso seja um atalho. Eu até li o “desenvolvedor” do clone falar que “todo FPS é clone de Quake”, e é claro que não é! Utilizar a mecânica do jogo não é clonar, mas utilizar a mecânica e todo o resto (arte, sons, história, etc), isso é clonar! E eu não conheço nenhuma história de que algo assim se deu bem.

É bem comum acontecer um “ataque dos clones” quando algum jogo independente fica famoso muito rápido. Isto aconteceu com o puzzle 2048 e o viciante Flappy Bird, entre muitos outros. E se você fosse o desenvolvedor de um jogo desses e visse milhares de cópias surgindo, o que você faria? Como se sentiria? Eu ficaria muito triste e irritado pela falta de ética dos meus colegas “desenvolvedores” (eu usei essa palavra com aspas por que realmente não sei como chamar esse pessoal).

Em resumo, apenas não faça isso. Não clone jogos famosos e publique esperando que esta “formula mágica de sucesso” te deixe rico. E se deixar, você pode perder tudo com belo processo de copyright. Mas, acima de tudo, isto é eticamente errado. Copiar uma mecânica de um jogo não é errado, pois só isso não define um jogo, porém use sua criatividade para deixar seu jogo único.

Eu não vou mencionar neste texto o caso me inspirou em escrevê-lo, mas se você conhecer por favor não comente o jogo nos comentários, este tipo de “desenvolvedor” não merece publicidade, nem negativa.

Imagem da capa: Cloning machine of businessmen do Shutterstock.