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Projeto de jogo para TCC

Projeto de jogo para TCC

Muita gente que quer trabalhar com jogos durante a faculdade tem a ideia de tentar fazer um jogo como trabalho de conclusão de curso (TCC), e eu digo tentar por que dependendo da faculdade e do curso podem não aceitar que este projeto seja um jogo, em muitos casos por falta de conhecimento dos professores e orientadores.

Existem também os cursos de desenvolvimento de jogos, onde este é o objetivo principal do curso, porém isto também pode esbarrar na falta de conhecimento de professores e orientadores, e quem paga o preço são os alunos que começam o curso querendo fazer um MMORPG e terminam sem conseguir fazer um PONG.

A indústria de jogos no Brasil é pequena, e a parcela de profissionais que também dão aulas é ainda menor. Por este motivo é bem comum que em cursos de desenvolvimento de jogos apenas parte dos professores tenham feito um jogo. E eu digo feito no sentido de fazer e publicar, e ver como é difícil este processo para poder transmitir esta experiência em aula, poder mostrar seus erros e acertos na carreira.

Quando fiz meu jogo para o TCC da pós-graduação, o Oniro, eu escrevi este post contando sobre o início do projeto e quais eram minhas dúvidas, principalmente em relação a tecnologia. Eu quase escolhi algo que não conhecia para fazer o jogo, uma linguagem de programação e um framework/engine que nunca tinha usado mas que estava na moda, e eu quase cometi este erro. No fim acabei escolhendo utilizar o que eu tinha mais segurança e conhecimento para fazer o jogo, que foi XNA e C#, e isso me deu tempo para focar em realmente fazer um jogo ao invés de aprender a programar em outra linguagem. Eu tive a sorte de perceber isso sozinho, principalmente por que fiz a mesma escolha na graduação e usei C# para o TCC pelo mesmo motivo, e este é o tipo de ajuda que um orientador com experiência em desenvolvimento de jogos pode dar para alunos iniciantes.

Durante o desenvolvimento do meu TCC eu consegui entrar em uma empresa de jogos, a Glu, e tive que dividir meu pouco tempo livre entre continuar o TCC e estudar o que estava usando no trabalho (J2ME). Se eu tivesse escolhido usar C++ e SDL, por exemplo, que eram ambas coisas novas pra mim, eu não teria feito nem metade do jogo, ou pelo menos não com a qualidade que queria. No meu post sobre o término do TCC, coloquei as coisas que deram certo e as que não deram, e usar algo que eu conhecia foi o que deu mais certo. Outra coisa que coloquei lá é que, como não tinha um artista pra me ajudar, usei sprites que encontrei na internet pra fazer o jogo, sem me preocupar em fazer arte ou procurar alguém pra fazer, e isso deu tão certo que eu estava com o jogo pronto 1 mês antes da entrega, e passei este 1 mês atualizando a arte, som e interface do jogo. Esta é outra dica que não me deram, e que me ajudou muito a não ficar parado sem ter arte pra fazer o jogo.

Existem mais coisas que deram errado: cobrar que parte da entrega do TCC fosse um plano de negócios detalhando como seria feita a empresa, custos, etc. Na minha opinião isso é algo inútil, pois é muito raro um jogo feito durante o TCC, por alunos sem experiência, ter a qualidade para ser publicado. O resultado é que muitos, e eu também, fizemos isso de qualquer jeito só pela nota e para “agradar” o professor da disciplina. Isto foi há 7 anos atrás, e ainda hoje é difícil fazer alunos e professores entenderem o que é fazer jogos.

Seu primeiro projeto é para você aprender a fazer um jogo, entender todos os desafios e obstáculos, e ver se é isso que você realmente quer. Colocar na cabeça de alunos que este projeto pode ser lançado no final do curso e que podem ganhar dinheiro com isso é muito errado, e isso causa mais casos de desistência do que de sucesso. Falo isso tudo por experiência, por tudo que vi nesses 7 anos trabalhando na indústria de jogos. É muito melhor ter um jogo simples mas bem polido do que algo grande demais que não vai ficar pronto a tempo ou vai ficar muito ruim, e este é o trabalho que muitos orientadores não fazem: orientar. Ao invés disso o projeto se torna um trabalho para agradar o orientador, a banca e a faculdade.

Fazer jogos é difícil, por isso você precisa escolher isso pelos motivos certos, motivos que te animem a acordar cedo e se dedicar a aprender e fazer uma experiência que outras pessoas vão querer jogar. Escrevi este post ano passado com uma pergunta, Por que você faz ou quer fazer jogos?, e são coisas assim que pra mim estão muito acima de querer fazer jogos para ganhar dinheiro, e é isso que falta ser ensinado. Menos empreendedorismo com falsas esperanças, mais jogo como arte e forma de expressão.

Imagem da capa: Angry man using bazooka do Shutterstock.