Category: indústria de games

30 dias na indústria de games

O blog está meio parado por que estou enrolado com o meu TCC da pós-graduação e também por uma grande mudança na minha vida: Há 30 dias atrás deixei de ser um Analista de Sistemas e consegui um emprego como Engenheiro de Software na Glu Mobile, uma empresa que faz jogos e porting de jogos para celulares e smartphones. Depois de 1 ano e meio desde que comecei a estudar desenvolvimento de jogos mais a sério, consegui entrar na indústria de games. Estou trabalhado no departamento de engenharia responsável por porting de jogos para a região da América do Norte.

Até chegar nisso foram muitos livros, aulas da pós-graduação e projetos – tudo relatado aqui neste blog. Agora começou uma nova etapa, onde eu estou aprendendo mais do que nunca sobre desenvolvimento de jogos (na prática) e como uma empresa desta área funciona, sem falar no contato com pessoas do mundo inteiro que possuem muitos interesses em comum. A empresa é incrível, com um ambiente bem característico com o que se espera de uma empresa de games.

Bom, mas você sabe o que é porting de jogos? Basicamente é pegar uma versão de um jogo, desenvolvida por outra equipe, e fazê-la funcionar em outros celulares, criando versões para cada tipo de configuração de celular. Porém isto não é tão fácil quanto parece, e nem tão simples quanto eu imaginava. Entre as tarefas relacionadas ao porting de um jogo estão: analisar e diminuir o consumo de memória e processamento, melhorar o desempenho do jogo, saber identificar problemas rapidamente, entender por que acontece uma coisa no emulador e outra no aparelho, entender código feito por outras pessoas, corrigir bugs (muitas vezes estranhos), entre muitas outras tarefas.

No geral, trabalhar com porting de jogos é bem desafiador. Existem diversas coisas que te obrigam a pensar e agir rápido, e você consegue desenvolver muitas habilidades de programação e engenharia. Após estes 30 dias tenho certeza que está é a indústria em que eu quero trabalhar. Porting não é fácil e eu tenho muito o que aprender, mas agora estou no caminho! Go go go!

Ah, sempre tem alguma vaga aberta na Glu, em diversas áreas como arte, programação e QA. Acesse o site para ver as vagas: http://www.glu.com/jobs

Existem diversas coisas que quero postar aqui, mas está difícil de arrumar tempo para escrever. Vou tentar postar com mais frequência, mesmo que seja algo mais curto e direto, principalmente por que tenho muitas coisas sobre o desenvolvimento do meu TCC para contar aqui.

empreendedorismo na indústria de games

Um dos objetivos da pós-graduação que estou fazendo é preparar o aluno para abrir uma empresa de games e procurar um publisher para publicar nossos jogos. No final do ano os TCCs, que são demos de jogos, serão apresentados a um publisher, e se tudo der certo, pode ser o que jogo seja desenvolvido e publicado. Esta é uma iniciativa muito legal do SENAC, pois faz nossos trabalhos terem mais sentido ao final do curso.

Para isto, temos uma matéria muito importante no sentido de negócios, que é Empreendedorismo. Um fato curioso é que os dois professores que nos deram a matéria (metade da matéria cada um) não tem conhecimento da indústria de games, mas se mostraram bons ouvintes para entender as características únicas desta indústria. Estas aulas foram legais, principalmente pela grande experiência deles em empreendedorismo, já que são do FGVcenn (Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV). Em alguns momentos era engraçado a falta de conhecimento deles em coisas que para nós eram claras.

Nesta matéria, o projeto foi desenvolver um Plano de Negócios para o nosso TCC, utilizando este roteiro. Inicialmente a idéia era criar uma empresa com um produto, que é o nosso jogo, porém todos preferiram criar um Modelo de Negócios com foco em um produto, já que este Plano de Negócios será apresentado a um publisher que está interessado no produto.

Fazer um Plano de Negócios não é fácil. É necessário juntar muita informação para embasar o produto que queremos desenvolver, e responder perguntas como “Qual o diferencial deste jogo que o tornará um sucesso e por quê?”. Uma boa fonte de informações sobre a indústria brasileira de games é o site da Abragames, porém as pesquisas estão um pouco desatualizadas, mas serve como uma base.

Informações sobre a indústria de games no mundo inteiro são mais fáceis de encontrar na internet ou em sites como GamaSutra e GamesIndustry. Outra ferramenta legal é o Google Trends, onde você pode pesquisar a quantidade de pesquisas que um ou mais termos tiveram nos últimos anos e alguns fatos que marcaram este termo, como, por exemplo, este comparativo entre Wii, Xbox 360 e PS3.

Vou finalizar este post com duas dicas sobre empreendedorismo que o Augusto Camargo deu em um aula, que foi convidado por um dos professores para conversar conosco:

  • O foco do negócio não é desenvolver um produto, e sim a emoção que ele irá proporcinar ao usuário final (no caso de games, não basta ter gráficos perfeitos e controles de movimentos, tem que divertir e fazer o jogador se sentir bem e feliz);
  • Quando fizer o planejamento do fluxo de caixa, teste a projeção da empresa nos próximos meses em cenários ruins, como metade do volume vendido ou metade do faturamento, e veja se a empresa sobrevive (é algo muito simples de fazer com um Plano de Negócios, e quase todas as empresas novas quebram nesta simulação).

Eu pretendo escrever mais posts sobre a indústria de games e também sobre como começar uma empresa de games no Brasil (startup), qual tipo de jogo é mais lucrativo aqui, onde e como exportar um game produzido aqui, entre outros assuntos que eu acho interessantes e não é algo muito claro para quem quer começar uma empresa de games. Eu não sei muitas dessas coisas, mas irei pesquisar e postar aqui os resultados, já que uma das possibilidades que estudo é abrir minha própria empresa de games.

O Plano de Negócios, como praticamente qualquer tipo de documento, é bem chato de fazer, mas é muito útil também. Principalmente por que quando se escreve as idéias, fica mais fácil de ver as falhas e mudar coisas. Eu mudei boa parte do GDD (Game Design Document) do meu TCC após escrever o Plano de Negócios, pois na descrição de produto e estratégia de marketing encontrei problemas para a produção do jogo.

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